Não olhe o abismo

Nossos corações parecem estar mais pesados. Nossos pensamentos mais sombrios. Nossa vida, mais triste.

Chegamos à beira do abismo, paramos e o observamos. Paramos tanto tempo que começamos a ouvir o seu chamado. Para alguns é só o barulho do vento, para outros, um chamado encantador.

Não demora, nosso corpo é entorpecido. Não sabemos a razão, embora um observador externo diga que poderia ver os tentáculos da escuridão nos envolvendo.

Sentimos frio. Aos poucos nossa força de vontade se esvai. Não estamos mais de pé, mas sentados à beira do abismo, balançando nossas pernas, alguns diriam, perigosamente.

Flertamos com o seu chamado. Sussurramos em resposta aos seus pedidos, prestes a nos entregar ao seu abraço.

Perdemos o foco. Perdemos a noção de tempo. Só não perdemos a noção do peso que cresce sobre nós. O abismo é convidativo. Implora para aliviar o nosso fardo. Nos acaricia. Nos quer junto dele.

“Jogue-se”, diz o abismo. “Entregue-se”, ele repete.

Levante-se. Afasta-se. Não olhe o abismo, ou ele lhe consumirá.

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