Já era tarde

Daquele ponto era possível observar um vale belíssimo. Todos que conheciam aquele lugar, levavam consigo ótimas recordações. Era um lugar agradável e divertido de estar.

Curiosamente, ele nunca registrou uma imagem daquele local. Era um prazer estar lá, mas nunca fizera um registro. Quando perguntado, ele dizia que preferia guardar na mente as lembranças.

Mas ele não era muito atento a detalhes.

Tanto não era, que não percebeu as pequenas mudanças na paisagem.

Confiando apenas em suas lembranças, mas completamente preso nos afazeres cotidianos, não percebeu quando as folhas de uma das árvores começou a cair, ainda na primavera.

Tampouco notou quando a pequena fonte que alimentava o vale diminuiu o volume de água, por ter sido obstruída por um tronco de árvore que caíra ali e aos poucos desviou o curso d’água.

Ele não percebeu quando a grama amarelou, quando as árvores morreram, e a fonte secou.

O vale se transformou em um deserto e então ele percebeu.

Percebeu tarde. E então chorou.

Chorou um rio de lágrimas, mas já era tarde.

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