Da janela

Me ocorreu essa semana de adicionar em minhas rédeas sociais, um punhado de gente que não vejo ou falo a muito tempo. Alguns certamente a mais de 20 anos, o que me faz pensar que não estou mais tão moço.

Devagarinho vou recebendo as notificações: “fulano aceitou a sua solicitação de amizade“, “sicrano está te seguindo“. E eu vou ficando mais feliz. Daí as horas vão passando, os dias se sucedendo e já faz uma semana e pimba, cai a ficha.

Ninguém está verdadeiramente interagindo.

Parece até mentira de pescador, conto pra boi dormir ou potoca, mas é a mais pura verdade. As redes sociais, de forma geral, não são o melhor local para interagir socialmente.

Aquilo mais parece uma janela da casa velha de interior, onde a pessoa se põe prostrada a observar a vida passar, acenando eventualmente para os mais chegados que passam pela rua, enquanto observam a vida alheia, esperando apenas uma oportunidade para entrar e falar de como fulano está arrumado, de sua companhia, que fulano botou chifre em sicrano e para ver briga.

Menino, vou lhe dizer, como o povo gosta de brigar nesses rédeas sociais. Basta fulano dizer um tantim assim já começa o quebra pau. Cada um com a sua razão e sua forte opinião. Fica parecendo até briga de comadre.

E as vezes, o mais engraçado, que também é trágico, é ver o povo falando do que nem sabe o significado. É um tal de comunismo pra cá, comunismo pra lá. Tem gente que acha até que a terra é plana, que o sol que gira ao redor da terra.

Na minha época de infância, escutava muito a expressão “fulano só quer ser a última prega do cu“, sem saber o que significava, mas olha, o que tem de gente de achando nessas rédeas sociais hoje em dia, não tá no Orkut.

Mas eu continuo olhando da janela. E sempre mando o meu joinha pra aquele indivíduo que passa com semblante pesado, preocupado e indignado com alguma situação.

Gosto de puxar assunto, convidar prum cafezinho, puxar o banco pra debaixo da janela e sentar no meio da rua na calçada, só pra ouvir histórias – com H mesmo.

Compartilhar experiências, falar de engajamento e o poder da transformação. Ah! Somos capazes de tanta coisa, mas meio punhado de malandros nos faz pensar o contrário.

O ápice da semana foi um encontro casual, com um beradeiro do interior, em quem muito me espelho, por sua grande capacidade fazer rir com as palavras, diante das mais atrozes adversidades.

Que o bom Deus seja misericordioso e que os ventos soprem a favor do beradeiro, e que seus causos abundem nas rédeas sociais, nos trazendo um pouco de alegria.

Vem cá, conversar um pouco. Se a noite chegar ainda tem café e podemos prosear à luz do candeeiro.

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