A revelação

Vinte e seis de novembro de dois mil e dezenove.

Eram 21h07min. Eu estava assistindo o Jornal Nacional. De repente, a programação foi interrompida pela conhecida vinhete do Plantão da Globo. O que poderia ser?

A imagem mostrava uma coletiva de imprensa, e quem estava falando era um tal de Jacob CohenCientista Chefe da NASA. Seu discurso foi relativamente breve, e ele finalizou com um “god save us all“.

Eu imediatamente corri para as redes sociais. Se eu havia entendido bem, aquilo estava muito, muito errado. Em seu rápido discurso, seguido por grande temor e princípio de pânico, ele dizia com todas as letras que um meteoro que a NASA rastreava, e que sabia que passaria próximo da terra, teve a sua rota alterada e agora estava em rota de colisão com a terra.

Não haviam detalhes sobre onde o meteoro cairia, mas havia um detalhe importante sobre o tamanho do bólido: 118 km de diâmetro!

Aquele seria o mais catastrófico dos eventos na terra, pelo menos, mais catastrófico de que se teria registro. Se houvessem registros depois disso.

Rapidamente, do lado de fora, comecei a ouvir os barulhos. As pessoas começam a se desesperar. Todas estavam os celulares nas mãos, ligando para familiares, alguns pegavam seus carros e saiam em disparada, talvez procurando reunir-se com os seus entes queridos.

Eu só conseguia me perguntar, como aquele objeto não havia sido detectado e porque o planeta não tinha um plano de contingência para aquele tipo de situação. Ora, imaginava que isso não fosse só ficção científica e que um projeto Guerras nas Estrelas pudesse nos proteger. Não! Isso era surreal.

Entrei em casa, peguei um velho telescópio e fui para o quintal. Ao passar na sala deixei a TV ligada no volume mais alto. Se houvesse mais alguma informação, eu queria saber.

Varri o céu com a velha luneta e não vi nada. Às 23h28min a vinheta do Plantão tocou novamente. A NASA tinha mais uma mensagem. Pela simulação da NASA, o asteroide cairia no Oceano Atlântico, bem próximo da costa Africana. A menos que um arsenal atômico fosse lançado no gigantesco asteroide, a destruição da terra como a conhecemos seria certa e a raça humana estaria vivendo os seus últimos momentos no universo.

Eu não tinha familiares para quem ligar, e os meus amigos estavam ligando para os seus familiares. Decidi que não iria para as ruas saquear. Também não iria me entregar a barbárie.

Eu iria sentar e esperar. Peguei uma caixa de cerveja na geladeira e me sentei na frente de casa, vendo o movimento, ouvindo os prantos, as lamentações e despedidas.

Por incrível que parecesse, eu só conseguia pensar em duas coisas:

– O ser humano merece.

– Eu vivi para ver o fim do mundo. Que sorte a minha.

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